quarta-feira, 17 de junho de 2020

Pólo Plástico de Santa Catarina: vocação em reciclagem e o desafio das restrições


Com muito esforço, dedicação e planejamento Santa Catarina conquistou um posto importante no cenário industrial brasileiro quando o assunto é a indústria do plástico, com especial vocação para reciclagem. O estado é um dos principais transformadores do Brasil, contanto cerca de 1.100 empresa, responsáveis por 38.700 empregos, produziram 628 mil toneladas em 2018, segundo os dados da Abiplast -Associação Brasileira da Indústria do Plástico – Abiplast. E no subsegmento da reciclagem os últimos dados registram 293 empresas (12,6% do total do Brasil) com 1617 empregos (16,2% do total nacional), ficando atrás apenas de São Paulo.A edição de abril da Revista Indústria e Competitividade, da FIESC – Federação das Indústrias de Santa Catarina, em reportagem de Fabrício Marques, destaca a importância do setor, mas relata que o vigor econômico e a importância social desta indústria estão ameaçados por uma conjunção de fatores que deverá resultar em redução de consumo.Por exemplo, há mais de 50 projetos tramitando no Congresso Nacional que estabelecem limites à venda de produtos plásticos, que passaram a ser taxados como vilões ambientais por conta do descarte inadequado.

 No entanto, essa imagem não corresponde aos fatos, pois  o problema não é o produto, e sim o descarte inadequado e o descumprimento da legislação de resíduos sólidos pelas prefeituras. Desafio do setor é promover a reciclagem, uma das subdivisões com grande destaque em Santa Catarina, um projeto que pode sofrer interferência diante da pandemia do covid-19, que abalou a economia mundial.
As ameaças do coronavírus serão superadas em breve, mas o risco para a indústria do plástico já é palpável por questões legais. Na cidade de São Paulo, um dos mais importantes centros consumidores do País, será proibida, a partir de janeiro de 2021, a oferta de utensílios plásticos descartáveis, como copos, talheres e pratos, em estabelecimentos comerciais, que precisarão ser substituídos por itens biodegradáveis ou reutilizáveis. De acordo com a lei, quem descumprir pagará multa de R$ 1 mil a R$ 8 mil e poderá ter o estabelecimento fechado em caso de reincidência.

Como se não bastasse essa ameaça, há outros entraves, como a lentidão no Brasil da chamada economia circular, um conceito que envolve ações para o consumo consciente, o descarte correto e o reaproveitamento de produtos recicláveis como o plástico. O curioso é que o País dispõem há dez anos de uma legislação e uma política sobre gestão sustentável de resíduos sólidos, mas que não vem sendo cumprida como deveria.

Some-se a estas dificuldades, outra barreira com efeito cumulativo, esta de ordem econômica, representada pela escassez de incentivos para a produção e a comercialização de plástico reciclado: o produto paga mais imposto e custa mais caro do que a matéria-prima virgem, além de não ter seu valor ambiental devidamente reconhecido pelo mercado consumidor.

Opinião das lideranças classistas

No Sul de Santa Catarina está situado um grande polo de produção de descartáveis e de plástico reciclável. Em municípios como Orleans, São Ludgero, Criciúma e Içara estão estabelecidas mais de 200 empresas de tamanhos diversos, que empregam 8.500 pessoas. Por isso é relevante o comentário de Reginaldo José Cechinel, presidente do Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc).  “A maior parte do material plástico infelizmente ainda vai parar em aterros após o consumo”, afirma. E acrescenta:  “Nosso desafio é conscientizar a sociedade de que o plástico pode ser reaproveitado e fazer com que o material reciclado tenha valor.”

Na opinião do experiente empresário Albano Schmidt, presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico de Santa Catarina (Simpesc) e diretor-presidente da Termotécnica, três diferentes tipos de fabricantes coexistem no Estado. Um deles é o que produz insumos para a construção civil, com empresas bem posicionadas no mercado brasileiro e internacional. É neste mercado que se destacam empresas como a Tigre, sediada em Joinville, e a Amanco, multinacional com operações industriais na mesma cidade. Outro nicho é o de empresas de produtos técnicos, como mangueiras para injeção eletrônica de automóveis e peças para equipamentos hospitalares, que estão mais pulverizadas e se encontram em situação mais delicada. “A crise da indústria automobilística comprometeu o crescimento dessas empresas”, diz Schmidt.

Mudança de foco

E a reportagem destaca, por fim, a existência de um parque de empresas que fabricam plásticos descartáveis. Neste segmento, a líder no país é a Copobras, com sede em São Ludgero, que vem apostando na diversificação de sua linha para enfrentar as restrições crescentes ao consumo de plástico. O diretor-presidente da companhia Mario Schlickmann, está convicto que “o futuro será dos produtos com apelo sustentável”, admite.

E por vislumbrar esse futuro diferente o empresário antevê um impacto no mercado da legislação que entrará em vigor no ano que vem em São Paulo. Por isso, há tempos busca alternativas para preservar o espaço conquistado. Em 2017, a empresa lançou uma linha pioneira de bandejas de isopor que se degradam na natureza, graças a um aditivo feito à base de óleo de palmeira e lubrificantes. Conforme Schlickmann, para substituir os copos plásticos a saída será oferecer produtos de papel.

A Copobras, criada em 1970, quando o empresário Aloísio Schlickmann instalou uma fábrica de sandálias plásticas em São Ludgero, desenvolveu uma trajetória incrível e emblemática, representando o avanço da indústria do plástico em Santa Catarina. Quatro anos depois a empresa mudou sua estratégia e trocou a produção de calçados pela de sacolas, tubos e conexões de polietileno. Em 1982 se especializou em embalagens flexíveis e, nos anos 1990, mergulhou nos descartáveis e nos últimos anos se expandiu, abrindo unidades em no Paraná, Minas Gerais, Amazonas, Pernambuco e Paraíba.

Mario Schlickmann explica que para crescer, não dava para produzir apenas a partir de Santa Catarina. “Era necessário estar próximo dos centros consumidores de embalagens”, afirma Com essa filosofia, a empresa atualmente fabrica 70 mil toneladas de produtos/mês e sua linha inclui copos, pratos e potes de plástico e de isopor descartáveis, além de embalagens para indústria, como as de ração para cães.

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