segunda-feira, 17 de junho de 2019

Com base deprimida, exportações da indústria crescem 17,4% no RS


As exportações da indústria gaúcha, que alcançaram US$ 1,1 bilhão em maio, cresceram 17,4% na comparação com o mesmo mês de 2018. A forte alta, porém, foi influenciada pela base de comparação deprimida, em função da greve dos caminhoneiros, em maio do ano passado, e o início do colapso da economia argentina. O setor secundário contribuiu com 71,5% do total exportado pelo RS, contra 52,2% de igual período do ano anterior. "A crise na Argentina, um dos principais compradores de produtos do Estado, continua a contribuir negativamente para o desempenho de nossas vendas externas. Em maio, a redução das exportações gaúchas para o país vizinho chegou a aproximadamente 35%", afirma o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), Gilberto Porcello Petry. Os argentinos se mantiveram em terceiro lugar no ranking dos destinos das vendas gaúchas, atrás da líder China (queda de 40,5%) e dos Estados Unidos (crescimento de 68,1%).

De 23 categorias que registraram alguma operação de exportação, 16 apresentaram alta no mês passado. As que mais se destacaram foram Tabaco (89,6%), Químicos (64,4%), Couro e calçados (24,1%), Máquinas e equipamentos (23,3%) e Alimentos (10%). Esta última foi beneficiada pela peste suína na China, impulsionando o mercado de proteína animal do Estado, sobretudo Carne de Frango (88%) e Suína (56,5%) in natura. O efeito da doença, todavia, ao mesmo tempo em que colabora para alta nas vendas externas de Produtos alimentícios, prejudica as exportações de soja e seus derivados, insumos na produção de proteína animal chinesa.

Na contramão das exportações, as importações do RS tiveram queda mensal de 15,8%, ao somarem o total de US$ 665 milhões em maio. Entre as grandes categorias, apenas o segmento de Bens de capital registrou crescimento (32,1%) ante maio de 2018, mas não foi suficiente para compensar a queda. A principal influência negativa corresponde aos Bens intermediários (-17,9%), por conta de uma redução de US$ 109 milhões em naftas para petroquímica. Bens de consumo (-31%) e Combustíveis e lubrificantes (-42,4%) também assinalaram queda.

Entre janeiro e maio de 2019, ocorreu uma retração de 3,8% nas exportações da indústria gaúcha, atingindo US$ 6,5 bilhões, na relação com o mesmo período de 2018. Se desconsideradas as operações de plataformas de petróleo no âmbito Repetro, as exportações do setor secundário se mostram estagnadas (-0,2%). Já as importações acumularam US$ 3,5 bilhões neste mesmo período, decréscimo de 13,3%.

Exportações totais sofrem distorção

As exportações totais do Rio Grande do Sul recuaram 14,3% no último mês em relação a maio de 2018, totalizando US$ 1,5 bilhão. Porém, distorções quanto à origem de mercadorias causadas pelo embarque antecipado têm subestimado paulatinamente o resultado das exportações do Estado. O desempenho dos embarques de Produtos Básicos (agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura) sofreu influência negativa, sobretudo pela diminuição no registro de exportações de soja (-49,1%). Segundo levantamento da Unidade de Estudos Econômicos (UEE) da FIERGS, US$ 206 milhões da commoditie podem ter deixado de se agregar às exportações do RS só neste mês, o que resultaria em uma queda bem menor da que foi apurada: retração de 2,5%. A normalização dos dados da balança comercial é alcançada à medida que os exportadores apresentam as notas fiscais no Portal Único de Comércio Exterior.

Já no acumulado entre janeiro e maio, os embarques totais do Estado caíram 15,4%, assinalando um montante de US$ 7,7 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano passado. Sem considerar as plataformas de petróleo, a queda fica em 15,3%.

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