sexta-feira, 22 de junho de 2018

Venda da Braskem preocupa a Indústria do plástico


A indústria de transformação do plástico recebeu com surpresa e preocupação a notícia sobre as negociações preliminares da venda da Braskem para a multinacional holandesa LyondellBasell. A Odebrecht tem 38,3% da Braskem, ou 50,1% do capital com direito a votos, enquanto a Petrobras tem uma participação total de 36,1%, ou 47% das ações com direito a voto.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico - Abiplast, José Ricardo Roriz Coelho declarou ao jornal Zero Hora, de Porto Alegre, que a entidade que representa cerca de 12 mil empresas e 350 mil empregados, prepara uma reação à essa transação que vai afetar toda a cadeia produtiva. Ressalta que os associados precisam de algum tipo de garantia que suas necessidades serão atendidas. "Temos um monopólio nacional, vamos ter um monopólio internaciona", avalia.
O maior alvo do segmento são as proteções contra importações que a Braskem conquistou ao longo dos anos. Atualmente, tem tipos de resinas tem sobretaxas garantidas por processo antidumping (proteção contra competição considerada desleal): polipopropileno (PP), PVC e PET. "Com 12 mil empresas espalhadas pelo Brasil, que atendem à quase toda a demanda nacional, não podemos ficar submetidos a um monopólio lá de fora, muito menos a restrições às importação - pondera Roriz Coelho.

A Abiplast se prepara para questionar as medidas antidumping no Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (CADE), além de pedir garantias de que a futura controladora supra o mercado brasileiro. "A empresa tem  todo o direito de vender ações, nós temos o direito de que a nossa oferta tenha concorrência, que possamos comprar de qualquer empresa.

E para o presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul - Sinplast, Edilson Deitos, também consultado por ZH, o principal temos do segmento é em relação aos preços. Relata que a Braskem tem "certa governança" na politica de preços,cujos valores são reajustados a cada mês, com base no dólar do período anterior e na média da variação  das matérias-primas no mercado americano (70%) e no chinês (30%). Ele diz que as resinas plásticas enfrentam o mesmo problema dos combustíveis: as altas na cotação do barril de petróleo e o dólar. E com o agravante  do alto consumo de energia elétrica, que teve aumentos de 20% a 30% no Estado. Deitos revela que o mais recente reajuste nos preços das resinas ocorreu na metade nesta semana, depois de uma trégua pela greve dos caminhoneiros. Desde segunda-feira os valores estão 9,3% mais altos: por exemplo, uma tonelada de PP passou de R$ 6,4 mil para R$ 7 mil.